sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Morango ou Chocolate?


Hoje estou me fazendo a mesma pergunta que minha amiga Thatiane me fez ontem: Por que será que para seguir em frente temos que deixar outras coisas, outras pessoas para trás? Repare como a vida é sempre assim, nunca podemos ter ao mesmo tempo mais de uma coisa que nos faz bem. Sempre estamos envolvidos em um processo chamado de escolha. Quando vamos sair sempre temos que escolher entre o vestido lindo e fofo e o jeans velho e familiar, temos que escolher entre o salto que nos deixa linda e a sapatilha que nos deixa confortável, escolher entre o cabelo preso em coque, rabo de cavalo ou solto. Sem falar no sorvete, como vai ser: morango ou chocolate?!
Mas e pessoas como escolher entre pessoas? Isso não é possível, elas não são roupas que usamos sapatos que pisamos cabelos que nos enfeitam e nem um sabor de sorvete que nos satisfaz. Pessoas são pessoas. Cada uma é feita de uma personalidade diferente, é feita de algo novo que nos completa. Como EU posso escolher entre duas coisas que me fazem bem? Que me fazem rir, que me fazem feliz e me mostraram como o céu lá fora é lindo e azul, me mostraram com a noite brilha, como a vida tem mais graça quando eu paro de lamentar e sentir pena de mim mesma.
Não dá para escolher os olhos negros, gentis e acolhedores que me olham como se eu fosse a pessoa mais doce do mundo, não dá para escolher os olhos verdes acastanhados que me olham como se eu fosse louca, me convidam para se juntar a loucura dele e desbravar o mundo em busca de uma nova aventura. Não dá para fingir que sou indiferente a cada beijo, seja quando ele é intenso demais ou leve demais. Não dá para escolher qual a barba por fazer que ao tocar minha pele me faz arrepiar e muito menos escolher entre os cabelos bagunçados, que parecem estar assim por obra divina do vento.
Às vezes eu sinto falta dos meus momentos difíceis, quando eu deitava em minha cama todas as noites e sabia o que esperar, eu já conhecia a dor que viria, eu já sabia como era a pessoa pela qual eu sofreria e eu não precisava ter medo de magoa ló porque ele não gostava de mim, eu ouvia a mesma música que me fazia lembra ló e depois adormecia para no outro dia acordar e pela manhã ver seu belo sorriso. Mas agora eu não sei como enfrentar a dor, o medo de magoa lós e de me magoar novamente, não sei qual a música que agora me fará adormecer. Por que sim, agora eu tenho duas músicas e amo as duas não dá para se desfazer de uma em prol da outra, mas também não dá para ouvir as duas ao mesmo tempo, fica confuso se eu fizer isto, o ar é tomado por uma interferência dolorosa que fere meus ouvidos.
Mas o que definitivamente não dá para fazer é ficar aqui sentindo pena de mim, eu não tenho motivos para isto. Pena tem quem não tem algo na vida, algo ou melhor alguém para lhe chamar quando você se perder, alguém para lhe abraçar nos momentos difíceis e beijar nos momentos alegres. Isso eu tenho, e tenho em dobro. O problema é ter que deixar um deles partir, sou egoísta e medíocre demais para permitir isso, só que eu TENHO que fazê-lo, eu não posso privar a felicidade de ambos nem a minha ou em detrimento da minha.

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