domingo, 1 de dezembro de 2013

Engavetadas




Eu queria poder ter todas as respostas para essas perguntas silenciosas. Queria saber se hoje vai chover, o que vai ter pro almoço, se eu vou passar nessa ou naquela matéria, se o meu amor um dia vai chegar, se eu vou ter sucesso na minha profissão ou mesmo se vou me formar em quatro anos. Queria poder ter algumas certezas, estou cansada das dúvidas, dos vazios, do caos, cansada de estar cansada, de estar perdida, do vago, de sentir falta, de ter responsabilidade. È difícil ser adulto, crescer e ter contas pra pagar, crescer e ter um emprego, estudar, ser boa filha, namorada, amiga, mãe, irmã. Acho que o fato é que é difícil viver, como diriam os clichês e autores desconhecidos tem gente que só existe ao invés de viver, e nem todos estamos prontos pra lidar com isso, é complicado lidar com a diferença do outro, com a nossa própria diferença e incertezas. Quando parece que as respostas vão começar a aparecer, novas perguntas surgem, e elas vão se amontoado, ficam engavetadas lá no íntimo da gente, esperam que alguém dê alguma solução, que alguém apareça e consiga responder porque tudo tem que ser assim tão complicado, que alguém ensine o caminho porque as vezes é difícil tomar decisões. Tudo na vida vem acompanhando de interrogações demais, vou vivendo e esperando que elas cheguem ao fim, que as interrogações desaparecem junto com as reticências, que a vida comece a ter mais pontos finais, que faça mais sentido. Que o avesso tome forma, porque o que é certo agora parece tão errado, é difícil a gente se fazer por entender, definir limites, objetivos e chegar até lá, mas também é fácil demais ficar questionando sem fazer nada. Afinal o que são palavras sem ações?! Talvez as palavras sejam só supostas repostas do que deveria ser, ou do que deveria ter sido. São um conforto silencioso pra quem ainda não sabe onde vai chegar e nem como deveria chegar.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Vai valer a pena?



Todos os dias eu me questiono sobre as minhas escolhas, eu nunca sei se estou fazendo a coisa certa. Se escolhi a roupa mais confortável pra sair de casa, de que lado dormir da cama, se o curso que eu escolhi vai me levar a onde eu quero chegar ou sobre as pessoas que estão ao meu lado. Às vezes eu queria poder saber se tudo isso vai valer a pena, mas a verdade é que eu não sei, não existem muitas alternativas.
Escolhi a faculdade que parecia ser adequada pra mim, mas lá no final de quatro anos devo me perguntar: “Valeu a pena Daniella?” E se não tiver valido, será se ainda vai dar tempo de mudar? Todos os dias eu penso no medo de passar a minha vida fazendo algo que eu não queria fazer, por ter errado lá trás em coisas que faziam diferença. Medo de nada ser suficiente, porque eu me sinto assim agora, exigente, o pouco, o pequeno, o frágil, os meios termos não me satisfazem mais.

Às vezes parece que eu não tenho escolhido nada, que as coisas foram acontecendo e quando eu pisquei já estava tudo ali: ser adulta, a responsabilidade, ser profissional, além de ser boa amiga, boa filha, boa namorada, boa em tudo. Tudo que nem sei se eu queria ser.  Só queria/quero ter a mínima ideia de onde estou indo, mas eu não sei e provavelmente nunca vou saber. Só vou descobrir quando já estiver lá, mas e ai lá na frente vai ter valido a pena?

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Sem noção





Já me convenci de que sou uma pessoa sem noção. Não tenho noção da tantas coisas, de distância, se eu posso atravessar a rua sem o carro me atropelar, da hora de acordar, de quanto tempo levarei para me arrumar, de quantos metros separam um lado do outro, se vai dar pra pegar o ônibus, na verdade do passar do tempo de forma geral e principalmente não tenho noção dos meus sentimentos. Às vezes intensos demais e às vezes parecem nem estar ali mais. É essa falta de noção que me deixa no escuro, amar quando o amor já foi embora, tentar quando tudo está perdido, confundir amizades, não reconhecer paixões, não reconhecer o fim da paixão. Não ter a noção da dependência que tenho por alguém na minha vida, a necessidade de ter ela ali, não ter noção de quando deixar partir. Noção do quando fui grossa com alguém, noção de quando recuar. Talvez no fundo eu realmente não tenha noção de quem eu sou, do que eu quero, do que eu vou ser.

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Ponto final.





Todas as histórias deveriam ter um fim. Um beijo, um abraço, uma palavra, um carinho, um adeus. Histórias mal resolvidas doem, incomodam, são como enxaquecas no fim de tarde, são lembranças que voltam do nada. Que emergem quando deveriam sucumbir. Amores sem ponto final deixam saudades, deixam dúvidas do que poderia ter sido. A falta de uma conversa pesa, palavras remoem lá no fundo e torturam por terem ficado presas. As coisas sempre parecem erradas quando não demos o nosso melhor para resolvê – lãs. Já me convenci de que assuntos mal resolvidos sempre vão voltar até que você coloque um ponto final neles.