domingo, 1 de dezembro de 2013

Engavetadas




Eu queria poder ter todas as respostas para essas perguntas silenciosas. Queria saber se hoje vai chover, o que vai ter pro almoço, se eu vou passar nessa ou naquela matéria, se o meu amor um dia vai chegar, se eu vou ter sucesso na minha profissão ou mesmo se vou me formar em quatro anos. Queria poder ter algumas certezas, estou cansada das dúvidas, dos vazios, do caos, cansada de estar cansada, de estar perdida, do vago, de sentir falta, de ter responsabilidade. È difícil ser adulto, crescer e ter contas pra pagar, crescer e ter um emprego, estudar, ser boa filha, namorada, amiga, mãe, irmã. Acho que o fato é que é difícil viver, como diriam os clichês e autores desconhecidos tem gente que só existe ao invés de viver, e nem todos estamos prontos pra lidar com isso, é complicado lidar com a diferença do outro, com a nossa própria diferença e incertezas. Quando parece que as respostas vão começar a aparecer, novas perguntas surgem, e elas vão se amontoado, ficam engavetadas lá no íntimo da gente, esperam que alguém dê alguma solução, que alguém apareça e consiga responder porque tudo tem que ser assim tão complicado, que alguém ensine o caminho porque as vezes é difícil tomar decisões. Tudo na vida vem acompanhando de interrogações demais, vou vivendo e esperando que elas cheguem ao fim, que as interrogações desaparecem junto com as reticências, que a vida comece a ter mais pontos finais, que faça mais sentido. Que o avesso tome forma, porque o que é certo agora parece tão errado, é difícil a gente se fazer por entender, definir limites, objetivos e chegar até lá, mas também é fácil demais ficar questionando sem fazer nada. Afinal o que são palavras sem ações?! Talvez as palavras sejam só supostas repostas do que deveria ser, ou do que deveria ter sido. São um conforto silencioso pra quem ainda não sabe onde vai chegar e nem como deveria chegar.

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